o peso está na ordem do silêncio que por amor se julga ocultar simplesmente porque a mortificação das horas faz com que os frêmitos do corpo sejam abrandados por palavras que somente nos distanciam
o peso está na ordem do silêncio que por amor se julga ocultar simplesmente porque a mortificação das horas faz com que os frêmitos do corpo sejam abrandados por palavras que somente nos distanciam
escolher livremente
causas e efeitos
determinismo simultâneos
flechadas para sempre
tiros irreversíveis
questões instáveis
assimetrias efetivas
probabilidade quântica
n posições
liquidação da certeza
condições imprevisíveis
consistência interpretada
perspectiva humana
possível alternativa
chão sólido
a observar quedas
perfeitos movimentos
sem significar
liberação harmônica
na dissonância que nos abate
arrebatando
a pequenez da vida
no amor que tu me negas
Exato somente o toque desejoso e desejante que faz a vida de um corpo compensar as penas que ter um organismo implica. Os órgãos não valem o que pesam, apenas o que fazem funcionar e o que funciona é muito mais do que as organizações que ancoram a vida no corpo que provisoriamente a abriga.
diagramas muito mais complexos dos que os traçados entre retas e círculos
esquemas nada lineares
estares espiralados
mal barroco
no corpo a se contorcer
das camufladas serpentes
em asas angelicais
Como sujeito, não posso me colocar senão aqui, neste lugar, em frente ao computador com o editor de texto aberto, neste exato momento do dia ou da noite, e não posso ser sem estar em alguma hora dentro de algum lugar. Perante o universo e todos os possíveis poliversos que redimensionam nosso absolutismo galáctico, meu ser em um lugar no tempo e no espaço não é nada. Porém, para mim, humana inútil na grandeza da imensidão, isto é tudo e todo o meu possível universo são as horas que vivo e os espaços aonde convivo. E mesmo atribuindo sentido às infinitas dimensões cósmicas e transcósmicas de universos não imagináveis, o sentido verdadeiro da minha vida é este estar constante em um corpo condicionado a verticalidade e horizontalidade das coordenadas vitais. A linearidade das coisas, por mais abstrata que seja, é o que nos dá sentido e nos torna humanos e nos conduz a direção de uma ideia simbólica de destino. Esta busca por uma retidão existencial cria a necessidade de um poder operador da linearidade, o qual geometriza a natureza de acordo com a vontade do Homem. Esta humanidade, produtora de sensos e significações, talvez seja uma resposta à desgeometria do caos, aonde nada tem sentido, direção e muito menos linearidade.
machucada pela podre insistência em ser bela; lanhada pela mania de ir por mim; tropeçando devido ao querer se combinar
Mancha alguma traduz a sujeira insolúvel das impossibilidades que teu descuido impôs.
reinventar os amigos imaginários
saída desesperada
do gratuito
falível e perfeito
psiquiatra imaterial
mudando de face
e tom
de acordo com as demandas
do doente
miragem dessa imensa tristeza
para buscar
no ritmo da pulsação
a sã alegria
de viver
longe do homem
que tanto me aflige
sem tensão
um sentir menos que a brisa
na luz plácida
solitária
das inquietudes
que não mais o pertencem
esquecer
a índole desapaixonada
do burocrata
incapaz de transgredir
preescrições
proíbe a si mesmo
em sua
egoísta
egóica
fechada
lei
deixar-se descontruir
doar seu tempo
buscar o gozo
entregar desnecessariamente
prazeres sem preço
plenos de valor
sem reconhecimento
arcar com o descaso
sorrindo
ao caso perdido
devido à misérias
jamais provadas
por quem se rende
no giro
dos que amam
A vontade do teu pai. O coração dos justos. A leveza de quem cumpre. A alegria de quem ama. O carinho da tua mãe. A presença dos amigos. As cores do sol. As graças das chuvas. O respeito à Terra. A dedicação aos livros. Os cuidados com a casa. A felicidade de quem goza. A tranqüilidade de quem não teme. A beleza de quem casa. A delícia dos que copulam. O sabor escolhido. O fado, o daimôn, o carma. O espaço sagrado, o parceiro destinado. As bênçãos de Deus. O corpo de todos os dias.
Em honra ao casamento do Max.