quinta-feira, 23 de setembro de 2010

tudo errado

porque você tinha alguma idéia do que seria o certo

dez mais

1. sem raios de sol venho na nuvem densa da tarde que perde a luz para fazer brilhar teu olho sobre meu corpo a vibrar teu cheiro em pele esparramada em água de gozo e glória a ser possuída sem sombra por teu fluxo que amo sem medo de nele me perder


2. sozinha na noite esfumaçada a escabelar os meus serenos respiro as moléculas que de ti me restam e rindo da completa falta de esperança cheia de certeza equacionadas por tuas lutas vãs penso em tudo o que podemos e não fazemos e o que fazemos sem poder e os poderes sempre partidos e tudo o que queremos e pouco contamos e o que contamos e pouco damos importância só por dar


3. passou mesmo com o risco de voltar


4. e veio porque era para ficar o que se pensou isso e acabou aquilo sentimento fora do programa significado sem sentido feito para festejar as estrelas que jamais foram contempladas ao teu lado


5. conclui a tua lista sem eu jamais saber se estou nela


6. sem esperar resposta engancho minha alegria em indagações


7. fantasias ampliadas para esquecer os quilômetros que separam os corpos que perto ou longe ardem pelo encontro das bocas e o roçar perfeito das línguas


8. belos poemas menos perplexos que minhas circunflexões soltas entre suspiros para melhor arfar o éter onde dançam há séculos nossas copulantes almas


9. perspectivas infinitas no que começa sem meta se não a efêmera comunhão de forças perpassada em pressão de músculos atraídos em mútua consistência boa numa firmeza de poucas chances que sempre precisamos agarrar


10. admirações que visam mais que miradas mis numa rede insana onde sem saber o que desejas buscas despendendo tempos de amores e de música por tanto quereres sem quebrar teu coração nem por mim e se foi por alguém já nem tu sabes tanto esqueces o que queres que tudo o que quisestes tens e ao me teres quase nem me queres pois me ter te realiza mesmo sem querer essa realização tão quista que miríades de pequenas vidas em nossa nudez vive sob as vestes que nos espantam por poucos dias podermos juntos as tirar

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

bicho

que se esvai na água que não tem, num cheiro que não abriga, perdido em dores que não me dizem, espremido, ai que falta, em noite de lua limpa e bastasse que leve embora mas nunca chegou para poder ir, não veio como ninguém vem, vazio de sangue próximo culpa de cheiros inexplicados pela desculpa em tanto não estar e deixar essa solidão tomar conta quando o corpo sozinho não pode se mover e tudo dói num desconforto que precisará recuperar forças sem os acalantos das mãos que deveriam estar estendidas mas na imensidão celeste de ninho despovoado voam como pássaros que nada consolam a raridade do carinho, as palavras que deixam de ser trocadas, o cuidado que só existe para quem não concerne os lençóis desabitados dos que mesmo amados jamais recebem alguma atenção

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

três semanas pode ser pouco

Tantos dias são acontecimentos muitos. Amo. E não meço as conseqüências de amar sem razão. Nem métrica. Ainda menos mensurável, por mais quilos e medidas que apresente.

Calendários não são mais que o registro das tuas ausências.

Horas funcionam para gerir o corpo.

Segundos podem ser maiores que alguns minutos. No abraço fora do tempo, teu cheiro. Pessoa. Na alegria e na tristeza. Para sempre.

“e o para sempre sempre acaba”

nas sábias palavras de Renato Russo