segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mundo injusto

O que mais dói é a impossibilidade. E quem sempre faz mais do que é possível sofre demais com o que todo seu esforço não alcança. Desejos realizados são destino. Trabalhar para a realização deles é necessário, mas há sortes que nenhum trabalho bem feito simplesmente justifica. Sucesso é merecimento, mas constante falta de espaço e escassez de recursos só pode ser explicada como azar. O tempo vai passando e o melhor trabalho vai ficando soterrado nas urgências de instituições que pouco provêm os que as seguram funcionando.

sábado, 11 de abril de 2009

é uma obra de arte

foi só um jogo
brincadeira
sem querer



No atravessamento de uma aula preparada com as defesas intuitivas do pintor Kandisnky, o excesso de citações e considerações teóricas de Gillo Dorfles, os questionamentos de Arthur Danto, a esquizofrenia de Bia Medeiros e uma pitadinha de Barthes, o Roland. Sol, céu azulíssimo sem nuvens, sábado de aleluia, mar pertinho... mas nada pode existir quando a pessoa, mesmo de aniversário, precisa trabalhar. Na maior parte das vezes o mundo se resume a uma sala de aula.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dos meios culturais “elevados”

Arrogância fere. Descaso estraçalha. Interrogações só fazem sentido se estiverem acompanhadas de palavras. A ignorância demanda intervenções. Desrespeito é a pior forma de admitir o que se ignora.

domingo, 5 de abril de 2009

No retumbar de ScriptuRIRe


No retumbar de ScriptuRIRe

Escuto o trilili dos teus guizos, vindo montada em coisa que não sabe bem que bicho é. Tralalá, Rei Cavalinho, upa-upa na brincadeira. Rainha Torta. Tudo coberto, não dá para ver o que tem embaixo dos panos. Vem ela vestida com tecidos grosseiros como mortalhas. Foi mesmo enterrada. Posta na lama. Depois de viajar na trupe do Circo, na garupa do Crico, viver de mexerico. Isso antes de lutar contra um exército de repolhos. Ou seriam brócolis? Beterrabas para fingir sangue, cenouras para enfiares no olho fiofuzento que te atola de merda até o pescoço. De comer atrás do armário. Dormir na palha. Pouco importa, tudo mesmo vai para a sopa. Essa que derrubo, ainda quente, sobre tua cabeça. Que ainda consegue ver para acertar o bolo cheio de merengue na minha cara. Virei um monstro que vai te atacar com um milhão de aceleradas cosquinhas. Quem vai limpar toda essa meleca? As dezessete vassouras da lagarta de cem pés. Que vai até o centro do picadeiro, quem diria, para peidar! Estratosfericamente. Só porque é feriado. E quem diria, na hora do espetáculo, a centopéia vai estar grávida. Dentro dela se movem homens de cara marcada e macacões. Queriam que ela parisse burros. E não é que no meio da cambada, lá estava o jumento, calçado com quatro congas? No meio delas passa o anão, que quer tirar vantagem do palhaço. Na cara dele, uma flor jorra água quando o outro se dobra. Para ouvir o que o anão não diz, mas em seu ouvido grita: “você está me esmagando com esse sapatão!”


Escrito em setembro de 2007. Esse texto é um dos vários desdobramentos (outro é gráfico, outro são versos, outro são pareceres oficiais) da pesquisa de Mestrado, examinada por mim tanto na qualificação como no resultado final, abaixo designada:


ALUNO: Luciane de Campos Olendzki - luquerubim

ORIENTADOR: ?????????????????????????????????

DISSERTAÇÃO: Palhaçar: uma patética-poética por rir


domingo, 22 de março de 2009

Rival

NOVA





VELHA


nem uma coisa nem outra, apenas ready-made fotográfico enquadrado via objetiva eletrônica digitalizadora da imagem numa experimentação de detalhes durante o verão de 2005 enquanto o estudo contemporâneo da imagem ganhava outro estatuto para minha invisível produção

sexta-feira, 20 de março de 2009

ANA LÍDRICA

encharcada

molhada

no pátio

neo-clássico

eclético

militar



só vê

coisas lindas

e nada

mal diz

por isso

tanto se cala

sem das palavras

apartar-se



Poema inspirado no relatório de estágio em Ensino Fundamental de Ana Lídia Carvalho.
Primeiro semestre de 2008.

sábado, 14 de março de 2009

Burrice douta

Evita-se gastar energia. O sedentarismo responde a essa idéia, que muitas vezes é colocada como necessidade. O movimento parece dispendioso. Pois excesso de atividade física pode impedir acesso ao saber. Correndo não se discursa. No dançar com fala, alguma coisa fica em detrimento. Pensamento muscular não defende tese alguma senão o corpo que melhor se sustenta.

domingo, 1 de março de 2009

Idolatria iconoclasta IV









Frontão concluído, sem retoques de cor nas peças, apenas o preto na cavidade interna.
Esta ficará sempre escura e vazia.
O restante da escultura, a cobertura de toda superfície posterior da capela, arredondada e com declives que dificultam a fixação dos fragmentos, terá que esperar...
Amanhã, a máquina recomeça e a artista vira motorista, professora, orientadora, supervisora e totalmente impossilitada de seguir com esse projeto.