sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

imagens refletidas sem espelho

ainda que enunciável em uma linguagem possível

dispara perda de sentido

espaço e lugar são a mesma coisa?

devir dos corpos na paisagem

Notas esparsas na última leitura da dissertação de Franciane Cardoso.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Menos um

Mais eu

Incógnitas pessoas

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

No tempo das eletrolas


Os cânceres se alastram

na insuficiência dos corpos


As libélulas perambulam

na gratidão da chuva

que despencará


tenho medo do êxito da bomba


No fundo dos armários

as baratas se acasalam

indiferentes ao beijo

da agulha no disco



Lembrei desse poema de mil novecentos e eu era jovem porque encontrei som de eletrola lendo a dissertação do Leonardo Garavelo Martins Costa, Uma vida em palavras. Amanhã levarei essas linhas na defesa lá na Psico Social. Eu não sabia que minha mãe, que certamente não leu esse poema, morreria mais de dez anos depois de eu começar aquele livro de poesias do período pós-adolescente e pré-vida sem tempo de professora e mãe que intitulei PLÁSTICO (impublicado). Morreria por causa de um câncer...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

infinitos: vistos por perspectivas várias

1. Pensar só acontece porque se dá na matéria.

2. 2. O caos é virtual, efetiva o rela num plano onde os conceitos se atualizam

3. 3. Todo problema é CORPO.

4. 4. O devir expressa o encontro dos corpos.

5. 5. Vianda= carne abatida, carne de açougue.

Notas para A cor filosófica em Deleuze: pensamento e conceito de Jane Rodrigues Guimarães.

sábado, 3 de dezembro de 2011

mãe, professora

Alimentar. Providenciar. Correr. Atrás do tempo. Comer. Beber. Consolar. Abraçar. Doar meu corpo. Deitar junto. Dormir sem sonho. Deixar de ser.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

o que quiser

o que quiser quis sem querer

qualquer coisa que quiser nunca se quer

o que se quer é não querer

sexta-feira, 24 de junho de 2011

pensamento em ti

se eu te penso empurro nuvens para alumiar teu rosto, entrar no fundo do teu olho e afundar na superfície imensa da vida que a cada instante nos afasta sedimentando números que nos unem e nomes que fazem a fina pele tão aberta a fungos e feridas e feias inserções que é melhor nem pensar

pois quando te penso sofro os arrepios que deixo de sentir e todos abraços que tua força exaurida não permite e me deito fria com dores certa de me esquecer sem conseguir não te pensar

então des-penso e durmo sem dormir aquele sono impensado de um corpo que sem outro corpo pouco se pensa

sem descanso

Qualquer pessoa faz muito menos.

Consumida pela solidão de quem faz tudo, nada que faz acontece.

Desacontecida, tem que aprender a não fazer mais nada.

Talvez assim alguma coisa aconteça

segunda-feira, 13 de junho de 2011












J. M. W. Turner: Luxembourg (1834)

uma semana

preparo de aula, guardar casacos espalhados, os horários das aulas de reforço, cardápio mais ou menos estruturado, instruções para recolher as cinzas, revisão da água, perdendo a hora, duas lavagens de cabelo, serralheiro da solda da boca de lobo de portão, treino incompleto, a indicação das bolsas, aula corrida sem intervalo, entrega revisada como deu ao a organizador, um conto de Onetti, agasalhos pela manhã, leitura de sete mapeamentos, as meias em suas certas gavetas, manchas a serem esfregadas, a conferência de sexta-feira, a mala a ser feita, a troca de roupa de cama, o creme para as espinhas, um anti-térmico para o convalescente, algumas palavras para a estagiária, a hora da ginástica, os pagamentos, a limpeza da areia, a lista de convidados, o envio da documentação, a cópia da papelada, a quatro ligações de saudade, o parecer técnico para ontem, a chamada esquecida em casa, a anotação de presenças, a reposição de papel higiênico, as presilhas de cabelo, a apresentação da próxima semana, as passagens, as combinações, a mensagem esquecida para o educativo da Fundação, a maria-chiquinha bem ao lado, a marcação das consultas, a diarréia da pretinha, a fatura, café, café, café, a exposição sobre projetos, a dispersão da conversa, os dois mais dois são quatro, a piada da pérola, as recomendações diárias, a falta de um tempo para um banho, a insuficiência das palavras, os gastos a serem anotados, a separação do lixo, as visitas a serem feitas, os telefonemas de consolo, o pedido de mapa astral, dois textos para amanhã, alongamento, a reza, a oferenda aos antepassados, mantra, sonho seqüencial ofidifágico, o estresse de uma, a briga de meninas, interação de pelos, rápido back-up, poemas a digitar, presentes comprados, sem saco para delineadores, dentes escovados, contorno com batom, as questões norteadoras, os dispositivos em análise, o fu do gato, um beijo mal dado, um chazinho, o acumulo de ausências, as perspectivas de avaliação, a lista da produtividade, o meu ovário exposto, conceitos a desbravar, o pó na prateleira, a acomodação dos anéis, cinco mil idas ao banheiro, uma ruga no espelho, um cabelo branco arrancado, um abraço porque te amo, beijinhos de boa noite, quarenta e sente mensagens divulgando eventos, convite para publicação, aceites e inscrição, atenção às provas, o lado bom e o lado ruim de cada um sem tempo para eu dizer do meu bom, notícias de cirurgias, valha São Rafael, depósitos, a apropriação dos saberes, a escolha das temáticas, a lista imensa de coisas a fazer, oito bilhetes na mesa, os certificados a serem entregues, os sintomas, a injeção e os medicamentos, minha feiticeirinha, as estufas, caiu a conexão, o ar, o recado, as compras incompletas, agulhas no pescoço, vagas apertadas, chuva, lua crescendo, crepúsculos tênues, il referendum, caixa postal, combinações com o gerente, contato da supervisora, a carga horária do fono, reunião de coordenadores, levantamento de preços, uma fotografia, bexiga cheia, pés inchados, fome de quê, o quadrinho do André, cento e sessenta e seis slides, aereoporto deserto, cinzas vulcânicas, pesquisa, desejo de Patagônia, dez horas de digitação, cara no telão, nenhum jantar, banho de imersão sem fim, whisky com Red Bull e Foucault e imperativos até duas e meia da manhã, arrumação geral, pano, louça, restaurante que hoje cozinha nem pensar, quantas horas na frente do pc, supermercado, armários de mantimentos, geladeira, congelador, arranjos, não quero saber que perdemos, uma maquiagem, encontros, cerveja, histórias, sofás, camas, lençol que molha, ronron de felinos, café, café, suco espremido, fila para sorvete, kibes, pacotes, louça, louça, massa de bolo, rapa, forno, gol contra para o eterno adversário, os textos para a semana, a série azul, o Z, a aula de amanhã, teu molho com penne, suco de uva, o lugarzinho perfeito, a leitura dos últimos capítulos, as obras de Michelangelo, Turner, flores lindas, o suspiro profundo, a morte próxima, o merecido descanso.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Atrasado, mas sempre atual

Vontade de arte

No encontro que nos move

Decompondo azares

Com a sorte que estrelas nos trazem

Nesses dias que pensamos juntos

E nas noites a serem celebradas

Quando chegar o impossível

De não estarmos submersos

Nos livros que nos unem

Para inventar trabalhos

Em curso louco

De pesquisa, ensino e extensão.



Esse foi para o Leo, e o próximo foi em função da minha ida para sua banca de qualificação.

Universidade

Vim vestida para o espaço liso e fui barrada nos estriamentos do Campus da Saúde. Uma professora de tênis é suspeita, pronta para fazer ginástica pior ainda. “Só pode ir por fora”- disse o Guarda. Ao guardar o portão proíbe pedestres de atravessar uma Universidade que a priori é de todos e muito mais minha porque fui praticamente concebida nela, mas o tempo inteiro ela me ejeta, esteja eu a pé ou mesmo motorizada. Noutros dias no Campus Centro, acima dos mais doutos saltos na cápsula automóvel, empaco no fluxo trancado do trânsito que não transita e das vagas nunca vagas nas quais meu corpo deve sair carro e dele se despir com roupa para matar o desejo de ir e vir que esse modo de vida estanca.

Recusar o espaço sem perder o tempo de trabalhar ainda que obrigatoriamente expelida pela mesa que nunca consegui e pelas salas que necessariamente divido mas não tenho como me instalar. Ainda bem que recebo salário por esses enormes desconfortos.

domingo, 10 de abril de 2011

Só sou um animal

Fora da minha natureza

Proibido de bater na porta

Humano demais

Por causa da velhice

Isso que pouco bicho conhece


Uma fêmea

Poço de desejos

Corpo a acoplar

Um coração que bate

Bombeia sangue

E suporta uma pele

Que volta e meia

Dói

quarta-feira, 6 de abril de 2011

eixo ético

Cuidar de si é resistir aos dispositivos de controle. A alteridade humana não faz do outro a condução de um. Desistir do mundo é abandonar a própria vida.

heterista

Eu não reflito. Faço. Penso muito o que eu faço. Sem espelhar. Fora do templo, no tempo. Numa intempestividade ritual de pura paixão. Longe de mim abraçada nas artes. A copular com as palavras porque elas pulsam os sentidos que a pele perde.

terça-feira, 5 de abril de 2011

domingo, 27 de março de 2011

presença e cura

Um amor se faz entre corpos. Palavras o testemunham, mas discurso algum expressa a fusão de corpos que o cria.

pequena verdade

Amar é sempre certeiro. O problema é acertar o amor em alguém que não nos ame com a mesma certeza.

ausência entristecedora

Não se trata de “erros”, mas de usos e escolhas infelizes.