segunda-feira, 14 de maio de 2012
contingências e provisoriedades
quinta-feira, 19 de abril de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Asteriscos entre breves considerações
Os elogios de praxe: aderência à orientadora, elegância, economia, fluência, na linha.
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Elogio da surpresa. De um corpo não capitulado, o corpo em obra.
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Corpobra de Antonio Manuel. Achei que seria citado, tanto as Artes Visuais são evocadas.
O corpo, sempre o corpo. Um corpo, qualquer corpo.
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Corpo papel. Pode, o que é riscado num corpo ser ignorado?
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O corpo é uma casa, a casa é um corpo. Há pouca arquitetura no texto. E o que está replete de peles, rugas, estiramentos provisorios, não se adjetiva melhor numa anatômica do que numa arquitetônica?
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As obras do texto são sonoras e visuais. Literárias. Há superfície, composição. Nada se edifica, nada se projeta. Por que insistir com a arquitetônica? Texto faz pregas, mas não chega a explorar um labirinto.
Por mais dissertativo que seja, o texto faz deslizar os conceitos em sinfonias, texturas, repetições.
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A tese flui, mas não dá conta das tipologias do corpo. Como escrevi na ocasião da qualificação: um corpo de fome, o corpo pecador que a hóstia não sacia. Feito de linhas escorregadias, esse corpo migra e desdobra...
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Repetindo que: tal tese trabalha esse corpo cheio de entraves provisórios, sabe que não passa de texto. Num encadeamento de linhas onde a carne não está senão no afecto daquele que com o corpo permanece.
Corpo ansioso, todo tempo a violar o pensamento roendo unhas.
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O problema da rostificação responderia à arquitetura? Um muro é erguido, somente os das cidadelas e dos labirintos é arquitetado, muitos não passam de carpintaria.
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O corpo vai, mas fica. Palimpsesto. Mas o corpo da tese emergiu com elementos além da escritura. Um corpo se escreve?
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O cotovelo. Todo um corpo na pele articulada. Tese plena de orelhas, com poucas bocas e um atropelamento.
Corpo sempre sucetível à acidentes.
Por que nunca conseguimos tratar do corpo sem trazer a morte?
A morte de Barthes…tem uma história querendo atravessar uma esquina.
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"Inscrever o corpo na voz, na escritura, isso não se encerra"
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PARECER SOBRE TESE
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
imagens refletidas sem espelho
ainda que enunciável em uma linguagem possível
dispara perda de sentido
espaço e lugar são a mesma coisa?
devir dos corpos na paisagem
Notas esparsas na última leitura da dissertação de Franciane Cardoso.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
No tempo das eletrolas
Os cânceres se alastram
na insuficiência dos corpos
As libélulas perambulam
na gratidão da chuva
que despencará
tenho medo do êxito da bomba
No fundo dos armários
as baratas se acasalam
indiferentes ao beijo
da agulha no disco
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
infinitos: vistos por perspectivas várias
1. Pensar só acontece porque se dá na matéria.
2. 2. O caos é virtual, efetiva o rela num plano onde os conceitos se atualizam
3. 3. Todo problema é CORPO.
4. 4. O devir expressa o encontro dos corpos.
5. 5. Vianda= carne abatida, carne de açougue.
Notas para A cor filosófica em Deleuze: pensamento e conceito de Jane Rodrigues Guimarães.
sábado, 3 de dezembro de 2011
mãe, professora
Alimentar. Providenciar. Correr. Atrás do tempo. Comer. Beber. Consolar. Abraçar. Doar meu corpo. Deitar junto. Dormir sem sonho. Deixar de ser.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
o que quiser
o que quiser quis sem querer
qualquer coisa que quiser nunca se quer
o que se quer é não querer
sexta-feira, 24 de junho de 2011
pensamento em ti
se eu te penso empurro nuvens para alumiar teu rosto, entrar no fundo do teu olho e afundar na superfície imensa da vida que a cada instante nos afasta sedimentando números que nos unem e nomes que fazem a fina pele tão aberta a fungos e feridas e feias inserções que é melhor nem pensar
pois quando te penso sofro os arrepios que deixo de sentir e todos abraços que tua força exaurida não permite e me deito fria com dores certa de me esquecer sem conseguir não te pensar
então des-penso e durmo sem dormir aquele sono impensado de um corpo que sem outro corpo pouco se pensa
sem descanso
Qualquer pessoa faz muito menos.
Consumida pela solidão de quem faz tudo, nada que faz acontece.
Desacontecida, tem que aprender a não fazer mais nada.
Talvez assim alguma coisa aconteça
segunda-feira, 13 de junho de 2011
uma semana
preparo de aula, guardar casacos espalhados, os horários das aulas de reforço, cardápio mais ou menos estruturado, instruções para recolher as cinzas, revisão da água, perdendo a hora, duas lavagens de cabelo, serralheiro da solda da boca de lobo de portão, treino incompleto, a indicação das bolsas, aula corrida sem intervalo, entrega revisada como deu ao a organizador, um conto de Onetti, agasalhos pela manhã, leitura de sete mapeamentos, as meias em suas certas gavetas, manchas a serem esfregadas, a conferência de sexta-feira, a mala a ser feita, a troca de roupa de cama, o creme para as espinhas, um anti-térmico para o convalescente, algumas palavras para a estagiária, a hora da ginástica, os pagamentos, a limpeza da areia, a lista de convidados, o envio da documentação, a cópia da papelada, a quatro ligações de saudade, o parecer técnico para ontem, a chamada esquecida em casa, a anotação de presenças, a reposição de papel higiênico, as presilhas de cabelo, a apresentação da próxima semana, as passagens, as combinações, a mensagem esquecida para o educativo da Fundação, a maria-chiquinha bem ao lado, a marcação das consultas, a diarréia da pretinha, a fatura, café, café, café, a exposição sobre projetos, a dispersão da conversa, os dois mais dois são quatro, a piada da pérola, as recomendações diárias, a falta de um tempo para um banho, a insuficiência das palavras, os gastos a serem anotados, a separação do lixo, as visitas a serem feitas, os telefonemas de consolo, o pedido de mapa astral, dois textos para amanhã, alongamento, a reza, a oferenda aos antepassados, mantra, sonho seqüencial ofidifágico, o estresse de uma, a briga de meninas, interação de pelos, rápido back-up, poemas a digitar, presentes comprados, sem saco para delineadores, dentes escovados, contorno com batom, as questões norteadoras, os dispositivos em análise, o fu do gato, um beijo mal dado, um chazinho, o acumulo de ausências, as perspectivas de avaliação, a lista da produtividade, o meu ovário exposto, conceitos a desbravar, o pó na prateleira, a acomodação dos anéis, cinco mil idas ao banheiro, uma ruga no espelho, um cabelo branco arrancado, um abraço porque te amo, beijinhos de boa noite, quarenta e sente mensagens divulgando eventos, convite para publicação, aceites e inscrição, atenção às provas, o lado bom e o lado ruim de cada um sem tempo para eu dizer do meu bom, notícias de cirurgias, valha São Rafael, depósitos, a apropriação dos saberes, a escolha das temáticas, a lista imensa de coisas a fazer, oito bilhetes na mesa, os certificados a serem entregues, os sintomas, a injeção e os medicamentos, minha feiticeirinha, as estufas, caiu a conexão, o ar, o recado, as compras incompletas, agulhas no pescoço, vagas apertadas, chuva, lua crescendo, crepúsculos tênues, il referendum, caixa postal, combinações com o gerente, contato da supervisora, a carga horária do fono, reunião de coordenadores, levantamento de preços, uma fotografia, bexiga cheia, pés inchados, fome de quê, o quadrinho do André, cento e sessenta e seis slides, aereoporto deserto, cinzas vulcânicas, pesquisa, desejo de Patagônia, dez horas de digitação, cara no telão, nenhum jantar, banho de imersão sem fim, whisky com Red Bull e Foucault e imperativos até duas e meia da manhã, arrumação geral, pano, louça, restaurante que hoje cozinha nem pensar, quantas horas na frente do pc, supermercado, armários de mantimentos, geladeira, congelador, arranjos, não quero saber que perdemos, uma maquiagem, encontros, cerveja, histórias, sofás, camas, lençol que molha, ronron de felinos, café, café, suco espremido, fila para sorvete, kibes, pacotes, louça, louça, massa de bolo, rapa, forno, gol contra para o eterno adversário, os textos para a semana, a série azul, o Z, a aula de amanhã, teu molho com penne, suco de uva, o lugarzinho perfeito, a leitura dos últimos capítulos, as obras de Michelangelo, Turner, flores lindas, o suspiro profundo, a morte próxima, o merecido descanso.
